Ligas Acadêmicas de Dor
Dor crônica num contexto biopsicossocial - pela LADO (USP)

Infecções virais podem atuar como gatilho para o desenvolvimento de dor crônica. Estudo mostra que, durante a pandemia de COVID-19, indivíduos infectados desenvolveram sintomas de dor crônica como fadiga, mialgia difusa, depressão e sono não restaurador por aproximadamente 2 anos após contágio. Assim como portadores de dor crônica relataram a intensificação dos sintomas. Estudos comprovaram que o vírus SARS-CoV-2 deixa uma assinatura de expressão genética em neurônios que transmitem informações dolorosas ao cérebro.
Outro ponto importante é o efeito inverso, em que indivíduos com dor crônica foram mais suscetíveis ao contágio pelo vírus, uma vez que esses pacientes podem apresentaram resposta imune diminuída.
É importante considerar também que a redução das atividades físicas, o afastamento prolongado dos ambientes de lazer, contatos limitados com os demais e as incertezas causadas pela instabilidade do momento são fatores estressantes, que podem exacerbar os sintomas da dor.
Portanto, os efeitos da pandemia de COVID-19 podem afetar tanto indivíduos que foram infectados pelo vírus quanto aqueles que foram poupados do contágio, acarretando um aumento coletivo na manifestação da dor crônica a médio e longo prazo.
Referências:
Clauw DJ, Häuser W, Cohen SP, Fitzcharles MA. Considering the potential for an increase in chronic pain after the COVID-19 pandemic. Pain. 2020 Aug;161(8):1694-1697. doi: 10.1097/j.pain.0000000000001950. PMID: 32701829; PMCID: PMC7302093.
https://www.anad.org.br/explicacao-da-dor-no-covid-longo-a-assinatura-genetica-pode-dese mpenhar-um-papel/
- Liga Acadêmica de Dor Orofacial da USP