Profissionais

Qual o impacto da pandemia de Covid-19 sobre o bruxismo nas crianças?

Será que o Bruxismo infantil aumentou mesmo durante a pandemia? Considerando a situação atual podemos perceber que as crianças foram mais penalizadas do que os adultos no quesito isolamento social. Enquanto os adultos se ocupam na realização de diversos afazeres domésticos e trabalhos em home-office, as crianças se entediam mais facilmente com opções de divertimento limitadas para passar essas “intermináveis horas livres”.

Assim, pode-se supor que a frequência do bruxismo infantil tenha aumentado se considerarmos a sua relação com perturbações do estado emocional, que por sua vez sofrem alterações de acordo com o grau de estresse a que o indivíduo está sendo submetido. Vale ressaltar que no Bruxismo da Vigília a associação com fatores emocionais apresenta maior plausibilidade biológica para o entendimento de possível relação de causa-efeito. A contração mantida da musculatura, incluindo cabeça e pescoço, está relacionada com uma postura corporal necessária para atitudes de maior empenho para enfrentamento de situações de ansiedade ou que exijam concentração.

A comprovação sobre o aumento da frequência do bruxismo nas crianças nesse período crítico não está confirmada, e esta informação advém de percepções um tanto subjetivas tanto dos profissionais como dos pais. A ideia de uma provável associação causal entre ambiente estressor, personalidade ansiosa e bruxismo do sono está amplamente difundida entre profissionais e leigos. Sendo assim, a chance de ocorrer viés de confirmação é muito grande reforçando a crença anteriormente adquirida sobre a relação estresse e Bruxismo do Sono. Além disso, o aumento do número de horas de convivência entre crianças e cuidadores levará ao aumento da percepção dos adultos sobre o comportamento infantil e tal fato pode ser um fator que levará ao aumento do relato de Bruxismo. Desta forma, apesar de haver grande probabilidade de aumento da frequência de bruxismo nas crianças, principalmente o da Vigília, fica claro a necessidade de pesquisas bem conduzidas que comprovem essa impressão de pais e profissionais.

- Adriana Lira
« Voltar